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  • Foto do escritorNathalia Morgana

Asanas e Parábolas: Garudasana

Atualizado: 19 de out. de 2022

GARUDASANA, traduzida como postura da águia, na verdade Garuda é uma ave mitológica, uma criatura divina. Garuda é um pássaro enorme e mítico com o corpo dourado de um homem, rosto branco, asas vermelhas e bico de águia. Ele é o rei da comunidade de pássaros, o inimigo das cobras e o amigo dos humanos. e serve como veículo do Deus Vishnu. Vishnu é o aspecto da divindade que sustenta o universo.


A execução da postura exige força. concentração, flexibilidade e equilíbrio. Ele ajuda a melhorar o foco acalmando a mente e também ajudando você a aumentar seu poder de concentração.


Existem várias lendas a respeito de Garuda.


Lenda 1

Um dia, duas irmãs fizeram uma aposta sobre a cor da cauda do cavalo branco celestial Ucchaishrava voando no céu. Vinata, mãe de Garuda, afirmou que seria branco, enquanto Kadru, mãe dos Nagas (serpentes), apostava que o cavalo branco tinha uma cauda preta. Quem perdesse a aposta se tornaria escrava da outra. No dia seguinte, as irmãs foram inspecionar o cavalo. Observando uma cauda preta, Vinata aceitou a derrota e começou a servir Kadru.


Depois de um tempo, Vinata teve um filho alado. Ele não era outro senão o Rei dos pássaros, Garuda. Garuda descobriu que sua mãe estava passando sua vida em servidão devido a uma aposta perdida. Garuda foi até as serpentes pediu que a libertassem. As cobras concordaram em libertar sua mãe, desde que Garuda fosse buscar um pote de néctar divino (Amrita) em troca.


Garuda então embarcou nessa aventura. Ele voou até a montanha onde a água da imortalidade dos deuses estava sendo mantida, mas teve que lutar com muitas criaturas e um exército de deuses. Garuda venceu a batalha, levou o néctar até as serpentes e como prometido, sua mãe foi libertada. Porém os Nagas (serpentes) não tiveram a chance de beber a água da imortalidade pois os Deuses foram resgatar o Amrita. Tendo o Amrita tirado deles, os Nagas ficaram furiosos, e daí surgiu a rixa entre Garuda e as serpentes.


Observando o ato altruísta e corajoso de Garuda, Vishnu apareceu diante do pássaro e ofereceu-lhe um benefício de sua escolha. Garuda pediu imortalidade e também uma posição eterna acima do Senhor¹ (em sua bandeira). Vishnu concordou. Garuda também ofereceu a Vishnu um benefício em troca, e Vishnu, pediu que Garuda se tornasse seu veículo.


Garuda é apresentado na mitologia do Mahabharata como aquele que come carne de cobra,

Ao longo do Mahabharata, Garuda é invocado como um símbolo de força violenta impetuosa, de velocidade e de proeza marcial. Guerreiros poderosos avançando sobre inimigos condenados são comparados a Garuda mergulhando em uma serpente. Guerreiros derrotados são como cobras derrubadas por Garuda.


Lenda 2:

Rama, herói do Ramayana, é uma das encarnações divinas de Vishnu. O primo de Garuda, Jatayu é o herói desta história.


O épico indiano Ramayana conta como a esposa de Rama, Sita, foi sequestrada pelo demônio Ravana e levada para Sri Lanka em um Vimana, uma máquina voadora. Quando esses eventos ocorreram, Jatayu estava sentado contemplativamente no topo de uma árvore, seus olhos aguçados examinando o horizonte do mundo. Ele ouviu os gritos de Sita, viu Ravana voando pelo céu e entrou em ação. Ele acertou a Vimana de frente, derrubando-a no chão. Ferozmente ele atacou Ravana com dentes pontiagudos, garras dilacerantes e poderosas asas – mas ele não era páreo para as dez cabeças e vinte braços do rei demônio. Para cada cabeça ou membro perdido, Ravana crescia outra antes que a primeira terminasse de cair. Jatayu lutou feroz e valentemente, mas cada vez mais desesperadamente. Finalmente, Ravana cortou ambas as asas de Jatayu e voou para o sul em direção a ilha de Lanka, enquanto Sita se encolheu em choque silencioso no chão do Vimana.


Enquanto Jatayu jazia mortalmente ferido, Rama e seu irmão Lakshmana, que estavam seguindo Sita, chegaram a pé. Com falta de ar, o guerreiro caído disse a eles em frases quebradas: “Sita, Ravana, indo para o sul... Rama, por favor, me mate. É uma bênção morrer nas mãos do Senhor e em sua presença”. Rama, sempre gentil, mas nunca sentimental, atirou uma flecha rápida no bravo coração de Jatayu. Então ele e Lakshmana juntaram lenha, construíram uma pira e realizaram os ritos fúnebres de Jatayu com o mesmo cuidado que teriam com um membro de sua própria família.


Pontos para refletir:

  • Respire profundo e imagine que você é uma águia no céu, intensamente ativa e presente interiormente. Concentre seu olhar nas bordas internas de suas mãos, como uma águia voando e caçando.

  • Garuda é o veículo de Vishnu, o preservador/sustentador/protetor da criação. O nome de Vishnu vem da raiz vish , que significa "entrar", "invadir". Viṣṇu sustenta, preserva e protege o universo entrando nele, nunca estando ausente por um momento – assim como na meditação você escolhe um objeto de foco e então, para sustentar sua meditação, você continuamente escolhe o mesmo objeto de novo e de novo a cada momento. Reflita sobre o que significa preservar e sustentar. Que qualidades você precisaria para ser o veículo do preservador? Como você respira como veículo de preservação? Como você sente essa energia em seus músculos e ossos?

  • Preste atenção às qualidades de suavidade ou rigidez em seu corpo, em sua respiração e em seus olhos. Você pode ser suave e focado ao mesmo tempo? Você consegue manter seus músculos ativos e sua respiração suave? Experimente respirar na parte de trás de seus pulmões inferiores, expandindo as costelas como asas na inalação. Respire como um pássaro planador.

  • Tente a postura novamente. Ao sustentá-la, deixe que sua consciência permeie cada parte de seu corpo, sua respiração e seus órgãos dos sentidos. Esteja igualmente presente em todos os lugares. Por ser uma postura que requer muita concentração, força e equilíbrio, perceba como é difícil se manter na postura enquanto está pensando em outras coisas. Quando você perceber que alguma parte de sua atenção está vacilando, renove seu compromisso de estar presente ali. Onde isso é mais desafiador? Você já tentou o seu melhor em uma situação difícil e achou que falharia?

  • O estado natural de Jatayu/Garuda é de atenção constante. Seu dharma é o serviço altruísta, protegendo a criação e tudo nela. Seu inimigo, Ravana, personifica o egocentrismo. Quando Ravana sequestra Sita, sua ação interrompe a criação, assim como surgem desejos e reivindicações do ego para atrapalhar sua prática. Jatayu tenta cumprir seu papel de proteger a terra e todos os seus habitantes. Mas, por mais valente que Jatayu seja, o ego tem cabeça de hidra e prospera em qualquer tipo de ignorância. Corte uma cabeça e outra aparece. Pergunte a si mesmo: quando preocupações relacionadas ao ego ameaçam atrapalhar minha prática, como posso reunir a energia garuda para protegê-la?

  • Por que Rama mata Jatayu nesta história? Compaixão. É, como diz Jatayu, "uma bênção morrer nas mãos do Senhor ou em sua presença". Na tradição indiana, tal morte assegura virtualmente a libertação do devoto. Embora esta parte da história possa nos deixar tristes, ela também nos lembra que, como diz Krishna (outro avatar de Vishnu), é melhor realizar o próprio dharma, mesmo que imperfeitamente, do que tentar cumprir o dharma de outro. (Bhagavad Gita 18:47). Jatayu faz o melhor que pode, e o resultado para ele é a libertação do sofrimento, concedida pelo próprio Senhor, embora falhe em seu objetivo imediato de resgatar Sita. Como diz o ditado, ele perde a batalha, mas vence a guerra. Pense nisso por um momento. Você já tentou o seu melhor em uma situação difícil e pensou que tinha falhado apenas para descobrir que o resultado final foi muito, muito melhor do que você poderia ter planejado?

  • Permaneça nessa postura por 30 a 60 segundos, depois retorne ao tadasana.


Garuda em sânscrito significa "devorador". Adoro usar a simbologia de Garuda nas minhas aulas: A ave mitológica devoradora do ego.


¹ Krishna (um avatar de Vishnu) carrega a imagem de Garuda em seu estandarte.


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