Como o Yoga nos Ajuda a Lidar com o Sofrimento e a Integrar Corpo, Mente e Alma
- Nathalia Morgana

- há 19 minutos
- 4 min de leitura
Você já se sentiu desconectada de si mesma, mesmo praticando Yoga? Descubra como o verdadeiro sentido do Yoga vai muito além das posturas e como ele pode transformar sua relação com o corpo, a mente e a vida.

Encontrei anotações antigas… e encontrei a mim mesma nelas
Outro dia, revisando um caderno esquecido, reencontrei anotações de uma palestra que havia assistido há anos. Não lembrava quase nada dela, mas bastou reler uma página para algo em mim se acender. O conteúdo parecia ainda mais atual agora do que antes.
Decidi organizar essas ideias e transformar esse reencontro em palavras. Não para ensinar verdades absolutas, mas para compartilhar um caminho que pode ressoar com quem também está tentando se manter inteira... por dentro e por fora.
Os 3 Deveres do Conhecimento no Yoga
Uma das primeiras anotações que encontrei foi sobre o círculo do conhecimento, uma espécie de ciclo sagrado de aprendizado e partilha que sustenta a tradição do Yoga.
Ele é composto por três deveres:
Honrar quem veio antes
Receber o conhecimento transmitido pelos mestres, professoras e tradições com humildade. Essa herança é viva.
Aprender com a vida
Aplicar, experimentar e adaptar esse saber à nossa realidade, com honestidade e discernimento.
Compartilhar o que se aprendeu
Transmitir o conhecimento vivido, mesmo que imperfeito. Ensinar para manter o saber vivo, e não para impor verdades.
Yoga e Psicologia: O que Sábios e Terapeutas têm em comum?
Surpreendentemente, os mestres do Yoga e os estudiosos da psicologia compartilham cinco características fundamentais:
Curiosidade — desejo sincero de entender como a vida funciona
Observação — capacidade de olhar para dentro e para fora com clareza
Interconexão — reconhecimento de que somos elos entre o passado e o futuro
Foco — escolha consciente de um campo de estudo ou prática
Busca por uma vida melhor — desejo de reduzir o sofrimento e aumentar o bem-estar
Em essência, tanto Yoga quanto psicologia lidam com uma pergunta universal: É possível viver neste mundo sem sofrer?
O Sofrimento sob a Luz do Yoga
Segundo os textos antigos, o sofrimento surge:
Das dores físicas e emocionais
Dos conflitos da mente
Do embate com o mundo externo e com os outros
Do esquecimento de nossa essência
E mais: nós mesmas somos, muitas vezes, nossas maiores predadoras.
O inferno é a mente em conflito
Essa frase estava anotada no meio da página, circulada, sublinhada e com um asterisco ao lado. Ela me atingiu.
“O inferno é a mente em conflito.”
É quando a mente quer tudo ao mesmo tempo. Quando um lado quer repouso e o outro exige produtividade. Quando estamos presas entre o passado e o futuro. Yoga, então, se torna o respiro possível. A pausa entre um pensamento e outro.
Segundo Patanjali, o medo da morte é a raiz do sofrimento. E esse medo nasce da ignorância de que nossa essência verdadeira — o Atma — não morre.
Quando acessamos esse estado de união com o Todo, mesmo que por instantes, algo se apazigua. O paraíso não é um lugar. O paraíso é a mente livre de medos.
A mente é formada por 4 funções
No Yoga, a mente (antahkarana) é dividida em quatro partes:
Manas — os sentidos e as reações automáticas
Citta — o inconsciente, onde moram nossas memórias e impressões
Ahamkara — o ego, nossa identidade
Buddhi — a consciência clara, o discernimento sutil
Na maior parte do tempo, estamos oscilando entre os três primeiros. O papel do Yoga é nos levar, com delicadeza, para Buddhi. Para a clareza.
Os Koshas: os 5 corpos que precisam de atenção
Outro ponto essencial dessas anotações: somos formadas por cinco camadas (ou corpos), e todas elas precisam ser nutridas diariamente.
Annamaya kosha — corpo físico
Pranamaya kosha — corpo energético (respiração, prāṇa)
Manomaya kosha — corpo emocional
Vijnanamaya kosha — corpo intelectual/sabedoria
Anandamaya kosha — corpo da bem-aventurança, a experiência da alma
Se uma dessas camadas está desnutrida, sentimos que algo falta, mesmo sem saber nomear.
Chakras e instintos: quando o corpo fala
Nosso ID, ou parte instintiva, está ligado aos chakras inferiores (como Mūlādhāra e Svādhiṣṭhāna). Ali moram nossos medos primários, necessidade de sobrevivência, segurança, prazer e pertencimento.
Sem cuidar dessas bases, tentar "subir" a consciência é como construir uma torre em areia fofa.
O Yoga é tudo. Mas a gente esquece disso.
Quantas vezes você já ouviu (ou disse) algo como:
"Hoje eu fiz Yoga" (significando apenas uma aula de asanas)
"Yoga e meditação são coisas separadas"
"Yoga é o que acontece no tapete"
Mas na verdade, Yoga é tudo: a forma como comemos, respiramos, dormimos, falamos, sentimos. Asanas são apenas uma das ferramentas.
A prática que integra: corpo, mente e respiração
A verdadeira potência do Yoga está na integração.
Integrar é fazer com que o corpo não contradiga a mente. É fazer com que a respiração suporte as emoções. É fazer com que a consciência possa, enfim, repousar.
Yogaterapia também parte desse princípio: se o problema está no corpo, trabalhamos o corpo. Se está na mente, usamos técnicas mentais. O olhar é sistêmico.
Conclusão: a prática que te recolhe de volta
Ao reler essas anotações, compreendi que tudo o que eu queria lembrar estava ali: A prática que me recolhe de volta. Que me alinha com quem eu sou. Que me lembra que posso viver neste mundo sem me perder nele.
💬 E você? Está vivendo em conflito ou em união?
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Ou melhor: compartilhe com alguém que também esteja precisando de integração.
Que a gente nunca pare de aprender, viver e transmitir. 🙏





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