Taketina: A Meditação no Ritmo do Corpo
- Nathalia Morgana

- há 2 dias
- 4 min de leitura
Você já sentiu que sua mente só consegue se aquietar quando o corpo está em movimento?
Para algumas pessoas, o silêncio absoluto pode ser desafiador no início da jornada meditativa. E é exatamente por isso que práticas como o Taketina têm se tornado uma ponte poderosa entre o corpo, a música, o ritmo e a consciência plena.
Hoje quero te apresentar essa abordagem encantadora que venho explorando com meus alunos. Um convite para meditar sem ficar parada e ainda assim, mergulhar profundamente em si.
O que é Taketina?
Taketina é uma meditação em movimento baseada em ritmo. Criada por Reinhard Flatischler na década de 1970, essa prática nasceu da combinação entre percussão, movimento corporal, voz e respiração, com a proposta de restaurar a percepção rítmica natural do ser humano — que muitas vezes se perde em uma rotina desconectada e acelerada.

Diferente de outras práticas musicais, Taketina não exige talento musical. Você não precisa saber cantar, dançar ou tocar instrumentos. O que importa é se entregar à experiência com o corpo, a escuta e a presença.
A filosofia por trás do ritmo
No Taketina, o ritmo não é apenas algo que se ouve. Ele é algo que se sente, se caminha, se respira.
Quando você entra em um ciclo rítmico repetitivo — com passos, palmas e voz — o corpo começa a funcionar como um instrumento de presença. E quando inevitavelmente se perde (porque isso acontece com todas nós), é nesse “perder e reencontrar” o ritmo que mora a verdadeira meditação. Um lembrete simbólico de como a vida acontece: nem sempre linear, mas cíclica, cheia de retornos e recomeços.
Benefícios do Taketina
Reduz o estresse e a ansiedade
Estimula a neuroplasticidade
Trabalha a escuta ativa
Fortalece a coordenação motora e a consciência corporal
Promove estados profundos de atenção e presença
Desenvolve tolerância ao erro e aceitação do momento presente
Para além disso, Taketina traz uma leveza lúdica para a prática meditativa — algo que pode ser transformador especialmente para quem acha difícil “parar e silenciar”.
Quem criou Taketina?
O criador do método é o músico e pesquisador Reinhard Flatischler, austríaco, que dedicou décadas de sua vida à investigação sobre os efeitos terapêuticos do ritmo. Ele desenvolveu Taketina inicialmente como um processo musical, mas ao longo do tempo percebeu os impactos profundos na saúde mental, emocional e espiritual dos praticantes.
O método hoje é praticado em diversos países, inclusive em contextos de reabilitação, educação e meditação coletiva.
Como integrar o Taketina com Yoga ou Meditação?
No Shala, gosto de apresentar o Taketina como um ritual meditativo em movimento, especialmente nas fases finais de um curso de meditação ou como parte de rituais de integração em retiros e vivências.
Veja como você pode integrar:
1. Como introdução à prática de meditação
Use Taketina como uma forma de preparar o corpo para a imobilidade. O movimento ritmado ajuda a liberar tensões, ativar a presença e reduzir a inquietação inicial da mente.
2. Entre fases de uma aula de Yoga
Inserir uma roda de Taketina após o aquecimento ou antes do savasana pode ser uma forma de manter a energia viva e depois conduzi-la ao repouso com mais naturalidade.
3. Em eventos, rodas de mantras ou encontros de grupo
Como facilitadora, você pode usar o Taketina como um momento de conexão coletiva. Basta escolher algumas sílabas (como Ga Ma La Ta Ke) e guiar um fluxo simples de passos, palmas e voz.
Exemplo de uma Roda de Taketina com "Ga Ma La Ta Ke"
Aqui no Shala, conduzo a prática com base nesse ciclo simples:
Passos: Caminhada em ritmo lento e constante.
Palmas: Palmas no tempo intermediário, criando uma segunda camada.
Voz: Sílabas rítmicas que ajudam na concentração — por exemplo:
Ga... Ma... La... Ta... Ke...Passo, passo, palma, passo, palma...Respiração suave, presença ativa, mente entregue ao corpo.
Essas sílabas não têm um significado específico. Elas funcionam como sons universais, fáceis de pronunciar e repetir, que mantêm o foco e sustentam o ritmo. Se alguém me pergunta o que significa “Ga Ma La Ta Ke”, eu costumo dizer:
“Não importa o que essas sílabas querem dizer. O que importa é o que elas fazem com você.”
Por que trazer o Taketina para sua vida?
Porque às vezes, a meditação não precisa acontecer só sentada, de olhos fechados. Pode acontecer enquanto você caminha lentamente, batendo palmas e murmurando sons que ecoam dentro do seu corpo como um mantra em movimento. Pode ser dançando em círculo com outras pessoas, cada uma no seu tempo, mas todas no mesmo campo de presença.
Pode ser assim: leve, fluido, vivo.
Pronto para experimentar?
Na penúltima aula do meu curso Jornada de Meditação, ofereci essa experiência aos meus alunos — e foi como abrir uma nova porta. Eles descobriram que podem meditar caminhando, se movimentando, respirando no ritmo da vida.
E você? Já tentou meditar em movimento?
Se quiser vivenciar essa prática ao vivo, fique de olho nas nossas rodas e eventos especiais no instagram @nathaliamorgana.yoga ou venha conhecer uma aula no Shala.





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